domingo, 17 de fevereiro de 2019

O Berço.... Continuação Ògún

O amâgo da floresta, a casa de Ògún

No quarto dia, Olódùmarè. Chamou Ògún e Ògún veio a sua frente.
Prostrou-se de bruços, em frente Olódùmarè.
Então ele se levantou e se ajoelhou para a esquerda, depois para a direita, antes de retornar para a posição de prostração plana, diante do trono de Olódùmarè.
Ògún disse: 
Que você possa usar sua coroa real para sempre. Que você pise dentro de seus sapatos reais para sempre. 
Olódùmarè reconheceu a presença de Ògún acenando um cetro de um negro impecável.
Olódùmarè então disse a Ògún. 
Ògún, oh companheiro afiado e tempestuoso!
Inigualável, és tu entre todas as divindades o espírito destemido e corajoso, alma audaz e guerreira, galantemente galopando no coração da batalha feroz.
Eu te declaro o espírito de todos os guerreiros.
Você se tornou a alma dos soldados, o fogo dentro da bala, a ponto de fazer o dardo voar, enxertado de veneno.
Você, será surdo aos gritos dos covardes, será o patrono de todos os belicistas, o campeão daqueles que lucram quando batalhas acontecem nas cidades.
Combatentes que não ouvem suas advertências pereceram como moscas na batalha.
Somente aqueles que obedecem a seus comandos viveram para contar histórias de guerra. Se assim desejar.
Você poderá salvar a vida do soldado preso.
Mas, como você diz que lucro terá a guerra, se não houver sangue derramado, se não houver alma perdida?
Aqueles que não sabem, estarão cheios de medo de você.
Mas você sabe que não vai descansar, não vai dormir, porque eles sabem quão imprevisíveis é o seu temperamento.
Você vai comandar todos os metais conhecidos e desconhecidos assim como a língua controla as palavras.
Assim você comandará uma guerra,
Você deve conceder colheita abundante.
Porque você, o deus dos massacres e das artes também será a divindade do Ayè (vivos).
Você irá proteger as plantações, os arados e as espadas.
E você equilibrará os assuntos cautelosamente entre os braços da guerra e da paz, a sua vida deve ser uma bebedeira incoerente e instável como uma estrofe gaga dos indisciplinados, cambaleante e volátil, como o rosnar de um animal com raiva.
A quem você desejar poupar na guerra e a outros devorar, afinal você deve beber bastante álcool e quando o dia estiver muito quente, você preferirá se banhar com sangue, desde que você não toque a água.
Quando você transformar Ayè em frentes ferozes de batalha, os corações de fracos e tolos vão deixar de bater, petrificados.
Batalhas nunca mais serão as mesmas novamente, porque você diz que é e assim será porque eu digo que será assim.
Agora, se levante e vá livremente sobre. 
Sensatamente faça as regras dos campos de batalha. 
Acalme os lutadores. Inspire os estrategistas. Proteja a infantaria. Guie o calvário. 
Use seu talento para o benefício de todos para a glória do meu poder. 
Olódùmarè então deu a Ògún a cápsula de guerra e da paz, que Ògún avidamente ingeriu. Além disso, ele deu a Ògún, dezenas de esculturas, de casas, todos os complementos com imagens de caças, de equestre e pedestre.
Então Ògún disse: 
Obrigado meu Senhor. 
É pior do que o roubo, para um ser tão ricamente dotado, não ser eternamente grato. 
Então ele se levantou feliz, e foi sobre o seu negócio diariamente.

Meu pai que desceu a montanha com o corpo em chamas. 
Meu pai que decapitou aqueles que o ignoraram.
Meu pai que por pouco não mata seu próprio pai.
Meu pai que decapitou o carrasco e se tornou o pai da verdade.
Meu pai que não paga para entrar em Ejigbomekun.
Meu pai que não colocou porta em sua casa, para que todos possam entrar.
Aquele que é dono de muitas moradas no Céu.
O cão o acalma!
Pisar em cadáveres de uma guerra é sentimento do dever cumprido.
Seu banho é regado a sangue.
Guardião de nossa estrada.

Ògún Lákayé o, Osín mólè, Alada mèjì.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

O Culto Tradicional Yorùbá, vem resgatar nossa cultura milenar, guardada na cabaça do tempo.