quinta-feira, 14 de março de 2019

O Berço... A saga continua 15



Eles poderiam ter escolhido Mercúrio, Marte, Júpiter, ou qualquer outro planeta ou estrela para levar seu projeto à diante?
16. Ficou claro para Olókún que eles escolheram o Ayè, porque ela tinha desenvolvido tão artisticamente sua perolas que ninguém poderia tirar os olhos delas. 
Porém, eles também pensaram que ela não tinha poder de combate. 
Não seria através da opressão que ela se renderia.. 
Mas ela estava certa de que apenas alguns deles poderiam vir do Òrún para o Ayè, porque era perigosa demais a jornada naqueles dias. 
Ela poderia enfrentar qualquer número reduzido que viesse de uma só vez e estava decidida a fazê-lo.
Seu contato secreto no Òrún informou-lhe que eles estavam enviando o
Camaleão até ela.
Ela considerou que poderia ser um sinal de desprezo por ela, porque não poderia ser enviado um companheiro mais inferior como emissário. 
Ela sabia que todo ato seria o sinal de outro ato. 
Eles diziam que ele era feio, lento e desprezível e o camaleão seria o portador de clara mensagem. 
Eles estavam dizendo que ela estaria vendo seu próprio reflexo no espelho quando visse o camaleão.
A mensagem a deixou totalmente irritada e ela resolveu ensinar-lhes uma lição, emissário por emissário. 
Ela se preparou para uma guerra. 
Ela não ia ser enganada.
Eles estavam usando o camaleão como uma metáfora para um verdadeiro exército de guerreiros e diplomatas que chegariam com o camaleão. 
Claramente vai ser uma invasão e ela estava pronta para ela.
Porém para sua total perplexidade, tal como ela estava falando, ela viu o camaleão na sua frente. 
Ela se assustou. 
Estaria ela sonhando? 
O que estaria acontecendo?
Para tornar as coisas ainda mais desconcertantes, o camaleão estava montando o caracol como um cavalo. 
Bem diante de seus olhos, ela viu a escalada do camaleão para baixo da
parte traseira do caracol.
Para seu espanto, a pele do camaleão tinha uma luz brilhante que irradiava ao seu redor. 
Olókún, para sua surpresa, queria tocá-lo, mas ela rapidamente conteve o seu espírito impulsivo.
O camaleão se coloca no chão em prostração diante dela.
Ele falou:
"Saudações em nome de Olódùmarè e dos quatrocentos e um irunmolè que habitam Òrún”, são palavras de Òrúnmìlá.
Olókún disse:
"O que você quer de mim, e como você entrou aqui nos meus domínios?” 
Recuperando rapidamente, sua inteligência. 
Ele falou:
"Eu simplesmente lhe trago saudações".
"A respeito de como cheguei aqui, foi uma viagem tranquila. Eu simplesmente desejei que isso acontecesse. Eu venho caminhando do Òrún.”
Olókún ficou ainda mais intrigada.
Ela perguntou?

"E o seu cavalo é o caracol?", 
"Sim", respondeu o camaleão. 
"É o caracol mais rápido que voou através de paredes e portas.”
Superada por sua vaidade, Olókún decidiu ir aos seus aposentos. 
"Desculpe-me, mas devo ir ao meu quarto para colocar algo mais decente do que isso”, disse ela. 
"Uma vez que você está tão maravilhoso e eu pareço pouco apresentável".
Ela entrou em seus aposentos e começou a vestir-se com seu lindo
Vestuário, tecidos em padrões multicoloridos, usando fios e texturas diferentes.
Ela então olhou para várias combinações de contas, esferas brilhantes e sem brilho, grande e fino, redondo e angular, em forma de gemas e ela os vestia. 
Ela, então, reapareceu diante do camaleão, para exibir-se e mostrar o quão belo ela era.
"Como sempre, você é mais elegante e atraente ao vivo", o camaleão disse a ela, quando ela saiu a exibir uma extraordinariamente bela indumentária. 
Porém quando o camaleão começou a falar, ele começou a se transformar e sua pele começou a refletir o esplendor da cor da indumentária de Olókún. 
A única exceção é que o espelho sequer havia visto algo tão esplendoroso, que confundiu Olókún, que se desculpou e voltou para seus aposentos para novamente vestir-se sozinha.
Mas ela se retornou ainda mais espantada, como a pele do camaleão mudara novamente e espelhando as cores de seu vestido novo, com a imagem do espelho refletindo ainda mais bonito do que o original. 
Então ela voltou para novamente trocar de roupa. 
Mas quando ela saiu, a mesma coisa aconteceu com a nova indumentária o camaleão se transformou novamente com seu espelho curativo.
Olókún, finalmente disse:
“Você, camaleão simplesmente cobre-se com roupas de outras pessoas”. 
Mas o camaleão respondeu que não era assim. Estas são as minhas vestes próprias. Eu trouxe um guarda-roupa grande, pois não saberia quanto tempo ficaria. 
O que me trouxe é um assunto sério e isso pode levar algum tempo para explicar. 
Olókún havia pensado sobre essas coisas e decidiu que eram muito bizarras para lidar com elas. 
Certamente, as coisas mudaram no Òrún e elas não estavam mais como costumavam ser, se o camaleão feio poderia ficar tão lindo e o caracol tornara-se tão rápido quanto um cavalo.
Ela decidira que tinha subestimado as forças do Òrún.
Disse o camaleão:
Não quero problemas com você.
Olókún retrucou:
Também não quero nenhum problema, quem mandou você aqui?
Mas você não pode tomar todo o meu espaço. 
Diga quem te mandou, vocês podem ter o planeta, vocês podem transformar em um terreno sólido para a habitação humana.
"Assim será", respondeu o camaleão. 
"Vou levar o seu pedido de volta às divindades”.
Eu acredito que eles atenderão com todo o prazer. 
Estou de partida agora e continue bem. 
O camaleão montou no caracol e em uma fração de segundo, eles tinham desaparecido de vista.
Eles deixaram Olókún se perguntando se tudo era apenas um simples sonho ou se realmente acontecera.

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O Culto Tradicional Yorùbá, vem resgatar nossa cultura milenar, guardada na cabaça do tempo.